- Aí turma, galera, pessoas, jovens, adolescentes, gente que ama, que deseja mudar o mundo...
Aí gente que gosta de escrever, falar das suas coisas, de amor, paixão, felicidade, tudo...
Aqui a gente criou um espaço livre para cada um falar sobre tudo isso, para cada um contribuir com alguma mensagem que ajude a mudar o mundo (Já que os adultos não conseguem...).
- Foi num domingo de meio frio e chuva, com a galera sem coisa pra
fazer, que pintou a idéia desse blog.
-
- No começo era só vontade de uma página onde cada um de nós
pudesse escrever o que tinha vontade.
-
- Depois veio a idéia de mudar o mundo. Mas aí a gente achou que
mudar o mundo não é tarefa pra um ou dois dias e então decidimos
que a gente vai mudar aos poucos.
-
- Minha mãe, professora de português, logo falou que ia cuidar da
redação (pois a gente escreve de um jeito que os mais adultos não
entendem) e também sugeriu que a gente criasse aqui um espaço
realmente livre.
-
- Vamos ver no que vai dar.
-
- Seguinte: quem quiser publicar algo, primeiro escreve pra
-
- turmanova@uol.com.br
-
- A gente vê a mensagem, minha mãe dá um trato na escrita e então
publica.
-
- Pode ser qualquer coisa, o que tiver vontade de falar: amor,
poesia, histórias de amor ou sensual, política, música, família,
escola, tudo...
-
- Pode ser coisa vivida ou pode ser coisa inventada
(ficção), mas tem de ser coisa que sirva para passar alguma mensagem
que ajude a mudar esse mundo,
melhorar esse mundo.
-
- Podem ser também grandes coisas ou então
pequenas coisas, o que não pode é escrever bobagens e besteiras,
pois isso já tem muita gente falando e escrevendo.
-
- Aproveitem então este espaço "adolescente" e ajudem
a transformá-lo em algo muito mais útil do que muitos espaços
"adultos" que existem por aí.
-
- Nika e toda a galera (turma)
|
- 1.
CHEGA
DE PRECONCEITO
- 2.
MENINAS SÃO PESSOAS
- 3.
MEU PADRASTO (O AMOR É
TUDO)
- 4.
CACHORRO DE MADAME,
MENINOS DE RUA
- 5. A
AÇÃO DE DESPEJO
- 6. MEU
IRMÃO QUASE MORREU NUM ACIDENTE DE MOTO
- 7. A
CULPADA É A TORNEIRA
- 8. MOTORISTAS
NÃO PODEM FALAR NO CELULAR, MAS...
- 1.
CHEGA
DE PRECONCEITO
-
- Por
Tatiana
-
- A
Carol sempre me pareceu uma menina diferente de nós todos lá na
escola, na minha classe. Estava sempre quieta num canto e toda vez que
a gente a convidava para tomar um lanche, um sorvete ou qualquer outra
coisa, ela dizia que não podia ou que não estava a fim. Isso quando
alguém a convidava, pois nem as meninas e nem os meninos davam muita
bola pra ela.
- Para
mim ela era
uma excelente amiga, principalmente na hora de dar uma força nos
trabalhos. No mais, sempre quieta. Uma das diferenças de Carol é que
ela tem a pele de cor escura, quase negra, enquanto nós todos temos a
pele branca. Eu não sei dizer até que ponto a cor da pele de Carol
afastava as outras meninas dela, e também os meninos, e também eu,
devo confessar.
- Mas
teve uma dia que observei outras diferenças em Carol. Primeiro foi o
seu nome, pois ela se dizia chamar Carol e quando a professora pediu
para eu fazer a chamada, descobri, e descobrimos todos, o seu nome
verdadeiro: Carolina.
- Muitos
na classe fizeram gozação com ela e me senti culpada. Vi que ela
até chorou escondida e no intervalo fui falar com ela, pedir
desculpas, dizer que não tinha a mínima idéia que ela escondia o
nome e também que não havia motivo para isso, pois era um nome
bonito.
- Mas
foi então que descobri outras coisas, quando ela me falou que não
entendia porque sua mãe a tinha colocado naquele colégio, só de
meninos e meninas ricas, enquanto ela mal podia pagar a mensalidade.
Descobri que Carolina, além de negra, era pobre, não tinha celular,
não usava aparelhos para corrigir os dentes e sempre evitava sair com
a gente nos intervalos porque não tinha dinheiro para comprar nada.
- Naquela
hora eu nem sei o que foi que falei pra ela. Acho que apenas comentei
que ela devia mais era agradecer à sua mãe por se esforçar para que
ela estudasse ali, pois assim, ela teria um futuro melhor.
- Mas
depois que cheguei em casa e durante a noite, não consegui parar de
pensar em Carol. Não consegui nem dormir direito pois ficava pensando
em como deve ser triste a pessoa não poder viver como as outras. A
mãe dela colocou ela naquele colégio, mas talvez devesse ter deixado
ela estudar num outro colégio com meninas iguais a ela, assim ela
não sofreria tanto preconceito.
- No
dia seguinte, durante o café da manhã, estava tão distraída
pensando nela, que meus pais perguntaram o que estava acontecendo.
Comecei a chorar. Perguntei a eles o que seria de mim se eu estivesse
no lugar dela.
- Meus
pais não me falaram muita coisa, quer dizer, não me mostraram nada
que eu pudesse fazer. Mas enquanto eu estava sendo levada para a
escola tive uma idéia e pedi ao meu pai um adiantamento da mesada.
Ele não perguntou para o que era, mas parece que já sabia.
- Antes
mesmo da aula, fiquei esperando ansiosa que a Carolina chegasse e fui
logo mostrando a ela o dinheiro, dizendo que era um presente. O que
ela me falou causou um pouco de raiva.
- -
Esse dinheiro não vai mudar o meu destino. - ela disse. - Ninguém de
vocês vai passar a me tratar diferente só porque tenho dinheiro para
ir comer lanche ou tomar sorvete com vocês.
- Naquela
hora, acreditei mesmo que ela não merecia o dinheiro e a deixei no
seu canto. Mas quando entramos em aula, comecei a me perguntar se a
turma da escola a tratava mesmo de modo diferente, se o pessoal a
desprezava, e fui chegando à conclusão que era isso mesmo o que
acontecia.
- E
estava com o pensamento tão fixo em Carolina, inclusive olhando para
ela em sua carteira de vez em quando, que nem prestava atenção na
aula e nem ouvi quando a professora chamou o meu nome.
- -
Tá viajando? - perguntou a professora, já mexendo no meu ombro,
enquanto a turma toda ria.
- Fiquei
um tanto sem graça, mas logo comecei a falar aquilo que eu achava que
tinha de falar.
- -
Desculpa, professora. - eu falei. - Estou viajando sim, mas não estou
muito longe. Estou aqui pensando que enquanto meus pais podem me pagar
esse colégio sem maiores problemas, enquanto podem me comprar
vestidos, me dar um celular novo, me levar ao dentista para colocar
aparelho. Estou pensando que também as outras meninas e os meninos
aqui dessa classe não têm do que se queixar das suas vidas, pois
têm tudo o que querem. Estou pensando que enquanto isso, existem
muitas pessoas que nem sequer podem entrar em uma escola, não podem
comprar roupas, não podem colocar aparelho nos dentes e nem mesmo
podem sair para tomar um lanche com a turma, porque nunca têm
dinheiro. E estou pensando mesmo é em uma certa pessoa, que além de
ser pobre e passar por todas essas necessidades, ainda tem a pele
negra...
- Naquele
momento, como que adivinhando, quase todos na sala olharam para a
Carol, ou Carolina. Continuei falando, eu não conseguia parar.
- -
Eu queria que a Carol ou Carolina, tanto faz, fosse nossa amiga. Que
fosse uma amiga de quem a gente não ficasse olhando a cor da pele e
nem tampouco se ela tem aparelho nos dentes, celular ou dinheiro para
tomar lanche ou sorvete. Eu queria que ela fosse uma amiga para quem a
gente não tivesse nenhum tipo de preconceito...
- Não
consegui falar mais, pois comecei a chorar. A professora me abraçou e
escondi a cabeça em seu peito. Mas na verdade quem eu queria mesmo
abraçar era a Carolina, a minha amiga Carolina.
- Mas
tive que esperar um pouco para fazer isso. Só pude abraçá-la depois
que as outras meninas e também os meninos da sala já a tivessem
abraçado e feito seus pedidos de perdão.
- Daquele
dia em diante, alguma coisa mudou na vida de Carolina.
- Mas querem
saber, acho que a mudança maior aconteceu mesmo foi entre nós todos.
Não sei explicar que mudança foi essa, só sei que foi uma mudança
maravilhosa, para todos nós.
-
-
- 2.
MENINAS
SÃO PESSOAS
-
- Por
Alessandra
-
- A
história que vou contar não aconteceu comigo, mas é como se tivesse
acontecido, pois foi com uma grande amiga minha e já sofri muito e
ainda sofro junto com ela, principalmente, porque sei que ela não
teve a orientação que eu tive dos meus pais.
- Não
digo que eu não corro o risco de cometer o mesmo erro que ela, mas
desde pequena meus pais me ensinaram que para amar uma pessoa e
acreditar nela, não há a necessidade de fazer tudo do jeito que essa
pessoa quer. A gente tem de desconfiar um pouco do amor dos outros,
quer dizer, não acreditar que só nos dizem verdades.
- Foi
por causa disso que logo quando pintou o primeiro lance de namoro, com
um menino da minha escola, uma das primeiras coisas que eu tratei de
esclarecer é que a transa só vai acontecer no momento certo, quando
eu tiver idade, quando eu me sentir preparada. O menino topou e hoje
estamos juntos (ele está ao meu lado, lendo o que escrevo) já faz
quase dois anos. Não posso dizer que ele tem se comportado direitinho,
porque tem uma mão boba como ele só. Mas é só isso, sempre pára
quando eu digo que é para parar.
- Mas
com minha amiga não foi assim. Logo o seu primeiro namorado já foi
falando que era apaixonadíssimo por ela e que queria acreditar que
ela também fosse apaixonadíssima por ele. Vivia dizendo para ela que
namoro sem paixão de verdade não é namoro.
- Minha
amiga até me contava essas coisas e eu dizia para ela tomar cuidado.
Um dia até a trouxe em casa e fiz ela conversar com minha mãe. Mas
ela não se abriu muito com minha mãe, disse-me depois que não se
sentia à vontade para conversar sobre essas coisas com uma pessoa
adulta. Aliás, ela dizia que não se sentia à vontade para conversar
sobre isso com ninguém e que nem sabia porque falava comigo.
- E
quando perguntei se os seus pais, principalmente a mãe, nunca tinha
dado alguma orientação a ela, ela me disse que não. Achei isso um
absurdo, pois com meu pai e com minha mãe eu sempre converso numa boa
sobre qualquer coisa. Mas depois acabei descobrindo que outras meninas
também têm o mesmo problema que ela, isto é, não conversam com
seus pais.
- Querendo
ajudar minha amiga e sabendo que ela já estava para transar com o
menino, pois era isso o que ele queria como prova da sua paixão, tudo
o que pude fazer foi dizer que ela não devia atender aos caprichos
dele, mas que se fosse também sua vontade transar, então que pelo
menos tomasse todas as precauções. Falei que ela devia usar
camisinha e até mostrei a ela como era, pois eu havia aprendido na
escola.
- Mas
um dia ela chegou e me disse que havia transado e que tinha sido sem
camisinha, pois que ele não aceitou colocar, dizendo que transa assim
não tem graça.
- Mas
ela falou mais coisa ainda; que havia doído muito, que tinha sangrado
bastante e que tudo tinha sido tão rápido que ela nem sabia se tinha
sentido prazer. Perguntei se ela tinha gozado e ela disse que não
sabia. Não sabia nem o que era o gozo. Perguntei se ele nunca tinha
feito para ela com a mão até o fim. ou então se ela nunca tinha se
masturbado e ela ficou com vergonha de me contar.
- Fiquei
encucada, pois sempre imaginei que a transa deve ser uma coisa gostosa
para a menina também e não apenas para o menino. Falei pra ela que
talvez fosse porque era a primeira vez, tanto dela quanto dele. Mas
ela me falou que dele não era a primeira vez, pois ele sempre falava
que já tinha transado com várias meninas. Então falei que ela era
uma louca, pois podia tanto engravidar quanto pegar uma DST.
Recomendei que se fossem transar outra vez, que ela pedisse a ele que
fosse mais carinhoso e que usasse camisinha.
- Mas
ela me contou dias depois que transaram novamente e havia sido tudo
como na primeira vez. E também foi assim mais umas duas ou três
vezes ainda.
- E
então a menstruação dela não desceu. Ela me procurou apavorada.
Falei com minha mãe e minha mãe falou que ela devia contar para a
mãe dela. Mas ela falou que não tinha coragem de fazer isso.
- Ela
contou foi para o namorado e ele desapareceu no mesmo momento, dizendo
que não iria ficar com uma menina grávida sendo que nem sabia se o
filho era dele mesmo. Chegou mesmo a dizer que ela dava para todo
mundo.
- Resumindo
a história. Ela foi abandonada pelo namorado, um verdadeiro cachorro
sem vergonha que só se aproveitou dela. E também quase foi posta
para fora de casa, pois seus pais não aceitaram sua gravidez. Só
não a expulsaram não sei porque, pois sua situação não é das
melhores lá na sua casa.
- Daqui
a alguns dias ela vai ter o bebê e as coisas parecem mais calmas,
pelo menos em relação aos seus pais, que se não dão todo o apoio
que ela precisa, pelo menos não a desprezam como antes.
- Agora
o que fico me perguntando é que tipo de menino é esse que gosta de
enganar uma menina desse jeito. Será que por acaso ele não acredita
que menina também é gente, que é uma pessoa, que ama, que sofre,
que tem sentimentos, que precisa ser respeitada?
- Se
ele não estava a fim de assumir um filho com ela, então por que
insistiu tanto em transar, e ainda mais sem camisinha? Por que não se
comportou como o meu namorado, que sabe me respeitar, mesmo com a mão
boba que tem?
- Boba
foi ela, que acreditou nele. E acreditou porque nunca teve uma
orientação adequada, nunca teve com quem conversar.
- Mas
idiota foi ele, pois se acredita que vai ser feliz dessa maneira,
enganando as meninas, desconsiderando que elas são pessoas, está é
muito enganado. Um dia ele encontra o castigo que merece ter.
- Espero,
e isso vai acontecer com certeza, que um dia ele fique caidasso
(apaixonadíssimo) por uma menina e que fique com ela mesmo sabendo
que ela dá pra tudo menino que conhece.
- 3.
MEU PADRASTO (O AMOR É TUDO)
-
- Por
Melissa
-
- Meu
nome é Melissa e tenho 15 anos. Faço parte da turma da Nika e
também ajudei criar e agora ajudo a cuidar desse blog. Claro que também
fiquei interessada em poder contribuir com algum escrito e então
comecei a pensar no que poderia ser. Por vários dias fiquei pensando,
tentando encontrar alguma coisa que pudesse passar uma mensagem que
ajude as pessoas a mudar o mundo. Mas não encontrava nada e já
estava desistindo, quando minha mãe me mostrou o quanto
eu estava enganada.
- Um
fato triste que me aconteceu foi quando meu pai morreu e eu tinha 12
anos. Foi um fato que me chocou muito. Mas foi também um
fato que faria mudar minha vida para melhor. Preciso ter cuidado ao
dizer isso, para não ser mal interpretada, mas acontece que a vida
minha, da minha mãe e da minha irmã menor, que hoje tem 13 anos, era
um inferno dentro da nossa casa.
- Meu
pai bebia, era violento, batia em minha mãe e chegou a bater em nós
duas também, muitas vezes. Eu tinha medo dele. Medo não, eu tinha
pavor. Um dia um menino queria ficar comigo e eu morria de medo, mesmo
estando com a maior vontade de ficar com ele. Era o meu primeiro
menino e eu dizia que não, e não preciso dizer porque. Mas minhas amigas e meus amigos ficaram provocando até que dei um beijo
nele, no meio da rua, no meio de toda a turma da escola. A turma fez
festa e eu fiquei feliz. Foi muito gostoso o meu primeiro beijo.
- Mas
no dia seguinte ele quis ficar outra vez, pois um só beijo havia sido
pouco, e eu quis ficar também. Só que nos separamos da turma e ele
me acompanhou até a rua da minha casa, onde ficamos sentados num banco
de cimento que tinha em frente de uma casa. A gente já estava
beijando legal e eu estava super contente, quando meu pai passou e nos viu. Me
fez correr para casa e logo ele chegou atrás, para me dar a maior
surra e me chamar de cadelinha sem vergonha.
- Chorei
muito, perdi o menino e achei que nunca mais iria ficar com ele e nem
com outro menino qualquer. E foi isso o mesmo o que aconteceu, pois
sempre que meu pai me via, lembrava daquele dia e me prometia outra
surra caso me visse com algum menino. Eu tinha então até de evitar
conversar com os meninos.
- Então,
um dia veio a notícia de que um ônibus havia passado por cima do meu
pai, que estava bêbado. Num primeiro momento senti uma coisa
imensamente triste dentro de mim, mas depois, mesmo sentindo uma
grande culpa logo em seguida, passou pela minha cabeça que aquilo era
o melhor que poderia ter acontecido, pois assim eu, minha mãe e minha
irmã poderíamos viver em paz.
- Vivemos
então quase dois anos esquecendo a presença dele na nossa casa, mas
isso acho que pouca coisa mudou em minha vida, pois não me
interessava mais por menino algum e até fugia deles
quando me procuravam. Nem ia em festas, para evitar ser paquerada.
- Mas
aí minha mãe arranjou um namorado ou, como logo desconfiei e fiquei
sabendo, ela já
se encontrava com ele mesmo antes de papai morrer. Isso me chocou
demais, por duas razões. Primeiro por saber que mamãe andava traindo
papai e segundo porque seu namorado poderia significar a volta de tudo
aquilo que antes acontecia. Essa certeza ficou ainda maior quando
descobri que eles pretendia morar juntos, na nossa casa. Nem mesmo o
fato de saber que os dois só passaram mesmo a se encontrar depois da
morte de papai fez minha cabeça pensar diferente.
- Acho
que virei uma rebelde. Não queria mais nem falar com minha mãe, nem
ir para a escola, nem fazer nada. Eu só pensava no inferno que minha
vida iria voltar a ser. Um inferno para mim e para minha irmã, já
que mamãe parecia estar se dando muito bem com ele.
- Fiquei
tão rebelde e descontrolada das minhas coisas que até aceitei ficar
com um menino que estava embassando comigo na escola. E eu ia na
escola só mesmo para encontrar com ele, pois aula mesmo eu não
queria assistir. Eu pensava em fugir com ele para algum lugar, levando
minha irmã junto.
- Então,
um dia, estava chovendo muito e a gente se escondeu num ponto de
ônibus. Aproveitamos para ficar e estávamos no maior beijo quando
ouvimos buzinar e à nossa frente tinha um carro parado. Era o carro
do namorado da minha mãe. Fiz xixi na calcinha, de tanto medo que
passei. Ele nos colocou no carro e levou o menino até sua casa e
depois veio comigo até aqui em casa. Minha mãe o esperava e corri para
o quarto tão logo entrei. Fui tomar banho e me trocar. Tremia de medo
e sabia que uma grande bronca estava me aguardando.
- Mas
não levei bronca nenhuma. Ao invés disso, quando voltei para a
cozinha, com minha irmã, para comer pizza, que eles haviam comprado,
ele começou a falar que pretendia morar com a gente, que queria dar
escola boa para nós duas e então falou para minha mãe que tinha me visto com o meu
namorado. Eu ia corrigir rapidamente que era só um fico e que tinha
sido só naquele dia, mas nem foi
preciso, pois ele não falou por bronca e sim para dizer que achou o
menino muito educado e que tinha gostado muito dele.
- Daquele
dia em diante comecei a ver o namorado da minha mãe de modo um pouco
diferente, cada vez mais diferente. Ele era e é muito diferente do
que era papai. Agora já faz alguns meses que ele está morando com a
gente e nossa vida está parecendo uma festa sem fim. Ele leva eu e a
mana para passear, levar para festas, vai buscar, dá presentes,
conversa sobre o meu namoro e também o da mana, que já anda ficando
com os meninos.
- Um
dia, no carro, falei para ele o que eu pensava dele antes
e o que penso agora. Ele então respondeu que vida alguma vale a pena
se não houver amor para fazer o tempero. Disse que não importa se é
o amor entre um casal, se é amor entre pais e filhos, se é entre
padrastos e enteados, se é entre
irmãos, entre amigos, colegas de trabalho, vizinhos, nada importa, a
não ser amar e ser amado.
- Foi
nesse dia que nos abraçamos pela primeira vez e eu beijei seu rosto,
para depois ele me beijar também.
- Hoje
posso dizer que sou uma menina feliz, que a mana é feliz, que mamãe
é feliz. Às vezes lembro de papai e chego a sentir saudades, mas
depois peço perdão e digo para mim mesma que foi melhor assim.
Talvez papai não tenha encontrado uma maneira de amar, talvez não
tivesse descoberto que o amor é tudo, e talvez fosse por isso que
bebia tanto e acabou deixando essa vida tão cedo.
-
-
-
-
-
- 4.
CACHORRO DE MADAME, MENINOS
DE RUA
-
- Por
Ricardo
-
-
- Tenho
uma tia que é muito caridosa com os cachorros e gatos que aparecem na
rua, abandonados, perto da sua casa. Ela costuma dar comida e água
para eles e até recolhe alguns para dentro do seu quintal.
- Sempre
acreditei então que minha tia é boa de coração. Mas
noutro dia eu estava em sua casa quando vi algo que me deixou muito
triste e fez mudar um pouco a idéia que tenho sobre minha tia.
- Estava
no quintal, conversando com minha prima, quando vi duas crianças no
portão. Eram um menino e sua irmã menor. Os dois estavam bem mal
vestidos e tinham olhares bastante tristes.
- Mas
foi exatamente no momento em que fui falar com eles no portão que vi
seus olhares ficarem alegres. Seus olhos brilharam.
- -
É a Pitucha! - disse a menina, apontando para dentro do quintal.
- E
logo o menino também apontou e os dois começaram a sorrir, chamando
pelo nome Pitucha. E logo também entendi o que estava acontecendo,
quando um dos cachorros que minha tia havia recolhido na rua, na
verdade uma cachorra, se aproximou das crianças, balançando o rabo.
- -
É a Pitucha mesmo. - diziam eles e estavam felizes por ver a
cachorra.
- -
Que bom que você não morreu! - falou a menina. - Que bom que não se
queimou.
- E
então o menino, como que entendendo que eu queria saber o que estava
acontecendo, me contou que a casa onde eles moravam havia pegado fogo
e que eles pensavam que a Pitucha tivesse morrido queimada.
- Mas
a casa da qual eles me falavam, logo fui saber pela minha prima, era
apenas um dos muitos barracos que haviam queimado num incêndio
acontecido alguns dias antes numa favela ali perto. As crianças
contaram então que estavam com seus pais morando embaixo de um
viaduto também ali perto.
- Mas
apesar da alegria de ter reencontrado a cachorrinha que antes era
deles e que agora estava com minha tia, depois que que ela a recolheu
da rua, as crianças falaram que estavam com fome e que andavam pelo
bairro pedindo alguma coisa.
- -
Claro que a gente vai dar alguma coisa para vocês. - falei, como se
estivesse na minha casa e pudesse fazer isso.
- Minha
prima também entrou comigo para dentro da casa, perguntando para a
mãe o que ela poderia dar, mas logo descobrimos que a gente não
podia dar nada. A tia saiu até a porta, deu uma olhada para as
crianças e logo foi dizendo que aquela já era a terceira vez que
naquela semana que eles passavam pedindo comida.
- -
Então a senhora já deu... - eu estava perguntando, quando ela me
cortou e disse que não tinha dado e que nem iria dar, pois não tinha
culpa se tem gente que só sabe colocar filhos no mundo e não sabe
cuidar. Não tinha obrigação para com os filhos dos outros.
- Eu
eu minha prima ficamos olhando para a tia, sem saber o que dizer e
também sem entender o que estava acontecendo com ela. Pegamos então
algumas laranjas e levamos para as crianças, isso depois que a tia
já tinha saído da cozinha e não viu o que a gente estava fazendo.
- As
crianças, que ainda estavam brincando com a cachorra, ficaram
contentes, agradeceram e se despediram de nós e da cachorra.
- -
Fica aí! - disse a menina para a cachorra. - Fica aí Pitucha! Aí
você tem comida todos os dias.
- Os
dois se foram e fiquei olhando até que sumissem na esquina. Minha
prima também ficou olhando. Então começamos a olhar um para o
outro, mas sem dizer nada. Não falamos nada, mas eu sabia que ela
estava pensando a mesma coisa que eu.
- A
menina tinha razão em falar para a cachorra ficar ali na casa da
minha tia. A mesma tia que recolhe cachorros da rua, mas nega comida
para as crianças.
-
-
-
-
-
- 5.
A AÇÃO DE DESPEJO
-
- Por
Ingrid 14
-
- Tive
a idéia de escrever esse pequeno conto, depois de algo que
presenciei, numa visita ao Pico do Jaraguá. Na verdade foi uma compulsão e só me sosseguei um pouco depois que comecei a
escrever.
- A
professora de geografia tinha falado do Pico do Jaraguá, que é o
ponto culminante de São Paulo, e fiquei curiosa para ir lá ver. Foi
meu pai quem me levou, junto com meus outros irmãos, já que a mamãe
não quis ir. Ela disse que não tem nada de interessante pra se ver
ali e acho que papai também pensa do mesmo jeito, pois parecia estar
contrariado, o tempo todo.
- Realmente,
o passeio não é lá essas coisas, pois estava um dia poluído e não
avistamos quase nada da cidade, como a professora havia dito que dava
para avistar. O que avistamos foi muita sujeira e também muita
criança pedindo dinheiro para comprar lanche.
- Mas
na volta avistamos mais uma coisa que me chamou a atenção e pedi
para o meu pai parar o carro. Eram algumas pessoas vendendo artesanato
indígena na beira da estrada. E descobri que eles eram índios de
verdade e que moravam ali perto.
- Mas
quando olhei para o lado que a menina me apontou como sendo a aldeia
deles, fiquei desapontada, pois tudo o que vi foi um amontoada de
barracos feitos com madeira velha, papelão e outros tipos de
lixo.
- E
quando perguntei se aquilo era realmente uma aldeia indígena, a mãe
da menina explicou que estavam ali fazia pouco tempo e com risco de
serem despejados, pois o dono das terras a queria de volta. Falou
ainda que vivem com muita dificuldade, pois é difícil arrumarem
emprego e o pessoal sempre os trata com muito preconceito. Mas contou
que ali tem uma escola e até convidou a gente para ir lá visitar um
dia.
- Claro
que meu pai não deu muita atenção para a mulher e confesso que
também eu não estava me sentindo muito segura em ficar ali naquele
lugar, com tanta gente pobre e com certeza alguns marginais entre
eles. Por isso compramos algumas coisas e demos o fora.
- Mas
desde aquele dia não parei mais de ficar pensando na menina, na
mulher sua mãe e naquela gente toda, morando naqueles barracos,
passando fome e ainda vivendo o medo de serem expulsas dali a qualquer
momento.
- E
de tanto pensar acabei imaginando que aquelas terras onde eles vivem
eram do meu pai. Sei que ele tem terras em muitos lugares e bem que
poderia ser o dono daquelas ali também.
- Um
dia perguntei para a professora de geografia sobre a situação dos
índios e ela contou que eles passam mesmo muitas dificuldades, sem
terra para plantar. Eles que eram os donos de todas essas terras
antigamente. Perguntei por que ninguém dava terras para eles e a
professora me falou que muitos proprietários preferem ver suas terras
devastadas e inutilizadas do que cedê-las a quem precisa para plantar
o que comer. Falou também que já tinha assistido algumas ações de
despejo e que é muito triste ver as pessoas, velhos, crianças,
doentes e outros, serem expulsos do lugar onde moram, pelas simples
ganância dos proprietários que não precisam das terras mas não
abrem mão delas.
- E
como na minha imaginação aquelas terras eram do meu pai, foi na
imaginação também que um dia perguntei a ele por que não deixava a
terra para os índios. Ele então me falou que se eles quisessem
terra, que fossem trabalhar para conseguir, pois são todos
vagabundos. E disse também que tudo o que a professora vive falando
é por falta de conhecimento, pois ela não sabe o quanto ele e meus
avós trabalharam para conseguir o que hoje temos.
- Fiquei
muito confusa com isso. Sei que meu pai trabalha bastante, mas sei
também que seus empregados trabalham até mais que ele. Então por
que só ele é que tem as coisas e os empregados não? E fiquei
confusa também com o que a mulher havia dito; que eles, os índios,
não conseguem trabalho por causa do preconceito.
- Voltei
a falar com o meu pai e perguntei a ele o quanto ele ganha com um
mês de trabalho. Ele não soube responder, mas deixou claro que é
uma verdadeira fortuna. Então perguntei que diferença iria fazer
para ele nos seus ganhos, se deixasse aquele pedaço de terra para os
índios; um pedaço de terra que não dá nem a metade do tamanho da
chácara onde a gente costuma passar os finais de semana. Elr só me
respondeu que aquelas terras eram nossas e pronto.
- Então,
as coisas foram acontecendo e fiquei sabendo através da professora
que ia mesmo acontecer a ação de despejo e que os índios iriam ser
expulsos daquelas terras. Mas ela falou também que ela e outros
professores, e também alguns religiosos e advogados, entre outras
pessoas, iriam estar lá no dia do despejo, para protestarem a favor
dos índios.
- Eu
quis ir junto. Mas como eu tinha de obter autorização com meus pais,
tive de falar com ele. Brigamos. Mas eu falei que ia de qualquer
maneira e que se fosse preciso iria levar tudo o que eu tinha para
doar a eles para que eles pudessem comprar um pedaço de terra.
Calculei que se eu desse alguma coisa e os outros também dessem, a
gente conseguiria o dinheiro suficiente.
- Por
fim, quando meu pai viu que não tinha mais jeito, acabou me levando
até lá, juntamente como seus advogados, que iriam acompanhar a
ação de despejo. Lá já estavam os tratores para derrubar os
barracos e também muitas pessoas com faixas. Os índios estavam
pintados para a guerra, mas usavam arcos e flechas, paus e pedras,
enquanto a polícia tinha revólveres e metralhadoras.
- Logo
percebi que aquilo iria ser um massacre e que iriam matar crianças,
velhos, mulheres. Tomei coragem, saí do carro e fui me colocar do
lado dos índios, junto com a professora e as outras pessoas, na
frente deles.
- -
Essa terra é do meu pai. - gritei bem alto, para que todos ouvissem.
- Meu pai não precisa dessas terras. Se ele quiser tirar vocês
daqui, vai ter de me tirar também. Se ele mandar a polícia atirar,
vão ter de atirar em mim também.
- Nem
sei de onde arranjei tanta coragem para fazer isso.
- Passaram
vários minutos sem que ninguém soubesse o que fazer. Havia uma caixa
de papelão colocada na frente de todos, entre nós e a polícia e as
máquinas, e nessa caixa estava sendo depositado dinheiro para ajudar
os índios a comprar a terra. Peguei o dinheiro que eu tinha levado e
depositei ali também. E depois gritei para o meu pai, que naquele
momento vinha se aproximando da gente.
- -
Dá um tempo para nós. - eu falei. - Nós vamos conseguir o dinheiro
e então a gente compra a terra de você. A gente compra a terra que
você não precisa, mas que é muito importante para esse povo, para
essas mulheres, esses, velhos, essas crianças. Eles precisam de um
lugar para viver...
- Foi
então que aconteceu o milagre e não consegui falar mais. Vi que meu
pai estava chorando e corri abraçá-lo. Depois de algum tempo, quando
ele conseguiu falar, ele pegou a caixa e disse que aceitava o que
tinha ali em troca da terra. Uma velha índia disse então que ali
ainda havia muito pouco, que não era suficiente para comprar a terra. Mas ele falou que
iria completar o que faltava.
- -
O senhor vai nos dar o dinheiro para comprar suas próprias terras? -
perguntou a mulher.
- -
Não! - disse meu pai. - Essas terras já é de vocês. O dinheiro que
vou dar vai ser para construírem casas, mais escola, quadra de
esporte, posto de saúde, tudo o que vocês precisam.
- Abracei
meu pai. Falei que ele é o melhor pai do mundo e que eu amo demais.
Naquele mesmo dia fizemos uma festa ali na aldeia, e não ficamos com
medo de gente pobre e nem de marginais.
-
-
6.
MEU IRMÃO QUASE MORREU NUM ACIDENTE DE MOTO
Por
Daniel
Meu
irmão tem 22 anos, mas acho que eu, com 14, sou um pouco mais ajuizado
que ele. Sempre passei o maior medo nas vezes que ando de carro com ele e
de moto só peguei carona duas vezes, e nunca mais.
Não
entendo meu irmão e não entendo também outras pessoas que dirigem ou
que andam de moto, inclusive meu pai e minha mãe, que não andam de moto,
mas que parecem ser outras pessoas quando estão dirigindo. De repente
se transformam em pessoas apressadas demais e querem que todos saiam da
frente, como se a rua tivesse sido construída só para eles.
Mas
a rua não existe só para os carros e as motos. Fui pesquisar e descobri
que as ruas sempre foram dos pedestres e há não muito tempo tinha que ir
alguém na frente dos carros anunciando a sua passagem, para não assustar
as pessoas. Hoje isso mudou e muito.
As
pessoas vivem apressadas e estressadas dentro dos seus carros, num
trânsito que quase nunca anda ou pelo menos não anda como elas gostariam
que andasse.
Mas
os motoqueiros, não entendo porque, mesmo tendo veículos que conseguem
circular de modo mais livre dentro do trânsito, são os que menos têm
paciência.
Eles
dizem que os motoristas não os respeitam, mas eu não concordo com isso.
A maioria deles é de motoqueiros "meio loucos". Tudo o que
sabem fazer é buzinar para que o mundo saia da frente deles.
Eu
vivia dizendo para o meu irmão que eles buzinam até para postes e muros,
esperando que esses saiam da frente. E dizia isso porque é o que
realmente observo. Nunca vi tamanha impaciência e tamanha incapacidade de
pelo menos diminuir um pouco a velocidade quando isso é necessário.
Não diminuem a velocidade, não conseguem andar em fila atrás de outro
veículo, querem sempre ultrapassar e xingam quando não conseguem fazer
isso.
Uma
colega minha foi atropelada por um motoqueiro em cima da calçada, numa
situação que não dá para acreditar. Havia um carro na rua, numa curva,
sendo ultrapassado por um outro carro. Os dois já estavam numa velocidade
muito alta para o local, que é perto da escola. Mesmo assim, apareceu um
motoqueiro correndo mais ainda e queria ultrapassar os dois. Como não
havia mais espaço na rua, foi por cima da calçada, buzinando, xingando e
chutando um grupo de estudantes que saia da escola. Minha amiga estava
nesse grupo e deu o azar de ficar frente a frente com a moto. Por sorte
ela não se machucou muito, mas o motoqueiro caiu e ainda queria brigar
com ela. Só não brigou porque juntou muita gente e ele ficou com medo.
Com
o meu irmão não foi muito diferente. Ele simplesmente buzinou para um
ônibus que estava atravessando a avenida. O sinal estava aberto para o
ônibus e fechado para o meu irmão. E ele não pode nem dizer que foi o
contrário porque eu, meu pai e minha mãe, estávamos logo atrás no
carro e vimos quando ele acelerou a moto e começou a buzinar, para que o
ônibus parasse para ele passar.
O
motorista do ônibus ainda freou mas meu irmão bateu com a moto na frente
do ônibus, perdeu o controle e desviou para o outro lado da rua. Um carro
que passava não teve tempo de frear e passou por cima dele e da moto.
Quebrou um braço, machucou a cabeça (Por sorte estava usando capacete,
pelo menos) e se ralou pelo corpo todo. Só não levantou para brigar
porque ficou desmaiado, mas bastou acordar no pronto socorro para começar
a falar que o motorista do ônibus estava errado, que ele devia ter dado a
preferência. Meu pai mandou ele calar a boca e disse que nunca mais vai
deixar ele andar de moto.
Mas
de que adianta, se com o carro ele também se acha o dono da rua?
Agora
eu pergunto: o que acontece com o meu irmão, com os motoqueiros, com as
pessoas em geral? Será que não seria melhor a gente sair dirigindo numa
boa, com paciência, respeitando as regras de trânsito, sem se estressar?
Será que não seria melhor sair de casa alguns minutos mais cedo e poder
então dirigir sem se preocupar com o horário.
Minha
mãe só sai de casa atrasada, meu pai também. Por isso sempre dirigem
meio nervosos, xingando quem está na frente, como se todos os outros
motoristas e pedestres os atrapalhassem. E meu irmão, mesmo quando sai
(ou saía) de carro ou de moto para passear, mesmo quando não tinha
problema de horários, nem por isso tem paciência. Está sempre com
pressa e odiando todos as outras pessoas que estão na rua. Até parece
que quer ser sempre o primeiro e que não pode andar atrás dos outros.
Ele
diz que quando eu crescer mais um pouco e começar a dirigir, vou ser
igual. Espero que não.
7.
A CULPADA É A TORNEIRA
Por
Estéfani
Eu
e meus colegas da oitava série estávamos fazendo um trabalho sobre o
meio ambiente,
quando alguém disse:.
-
A culpada é a torneira!
É
que a gente estava fazendo anotações sobre o tanto de coisas que
costumamos desperdiçar, isto é, que gastamos sem utilizar de verdade.
Tínhamos lido um texto no qual o autor falava que para escovar os dentes
basta um copo de água e para tomar um banho nada mais que alguns poucos
litros. Então
por que gastamos tanta água? - foi a pergunta. Até que alguém lembrou
da torneira, e depois explicou: Se não houvesse a torneira e se a gente
tivesse que pegar água de algum reservatório, é quase certo que não
iríamos pegar mais que um copo de água para escovar os dentes e também
mais do que alguns litros para tomar um banho. Mas
como a água jorra da torneira e do chuveiro, não nos preocupamos em
deixar que ela escorra além da quantidade que precisamos. E para falar a
verdade, não é mesmo tão fácil fechar a torneira e principalmente o
chuveiro, pois é tão gostoso ficar ali debaixo da água quentinha. Mas
como seria se a gente tivesse que pegar um balde de água no rio,
esquentar, colocar em uma bacia...?
Depois,
em casa, fiquei observando que mamãe, ao preparar o leite que a gente
toma de manhã, primeiro ela esquenta bastante o leite no fogão e depois
tem de despejar água na pia para colocar a jarra e esfriar o leite até a
temperatura certa pra gente tomar.
Um
dia perguntei: se é para esfriar, então por que esquentar? Mas ela
continuou a fazer igual. Noutro dia eu brinquei: Mãe, você está
contribuindo para o aquecimento global. Ela achou isso um absurdo e nem
quis ouvir eu falar que o "pouquinho" que cada um de nós gasta
além do que precisamos, seja esquentando demais o leite para depois
esfriar, seja ficando por longo tempo sob o chuveiro, se somado, dá pra
fritar a Terra.
Mas
não é só a torneira e o chuveiro. Tem também a lâmpada que fica acesa
o tempo todo, a televisão ligada pras paredes, o celular que serve mais
para papo furado que para outra coisa, o carro que vai e vem por trechos
que poderiam ser feitos a pé, o som, o computador...
Quer
dizer... está certo que sempre procuramos criar facilidades para nossas
vidas, e também ninguém vai querer tirar as torneiras da casa para fazer
economia de água. Mas bem que a gente podia pensar um pouco mais e sempre
lembrar disso na hora de utilizar a água - a água e também a luz
elétrica, o gás do fogão, o carro, a televisão, o celular, o papel da
impressora, a tinta...
A
natureza agradece. Nós e todos os seres vivos, precisamos.
8.
MOTORISTAS NÃO PODEM FALAR NO CELULAR,
MAS...
Por
Ingrid 16 Meu
pai é advogado e costuma dizer que não se deve julgar os atos das
pessoas com dois pesos e duas medidas. Isso quer dizer que o que vale pra
um deve valer pra todos, caso contrário, comete-se injustiça. Mas
noutro dia tive que pegar um ônibus para ir até a casa das minhas amigas
(Tatiana e Melissa) e observei uma coisa que me fez ficar pensando: o
motorista do ônibus era também o cobrador. Durante
todo o trajeto o motorista tinha que ficar dividindo sua atenção entre
dirigir o ônibus e cobrar as passagens. Muitas vezes ele ficava parado no
ponto um tempão, fazendo o troco e atrapalhando os outros ônibus que
estavam atrás. Noutras vezes, para não atrapalhar os outros, ele ficava
dirigindo e cobrando as passagens, tudo ao mesmo tempo. Percebi
então que ele sempre estava colocando em risco a vida dos passageiros,
pois não é possível que ele faça direito as duas coisas ou, melhor,
não é possível que ele consiga dirigir direito e com segurança tendo
que ficar cobrando as passagens. Cheguei
a acreditar que aquilo devia ser um caso excepcional, talvez por ter
faltado o cobrador, mas minhas amigas me disseram que é assim mesmo, que
naquela linha de ônibus não existem cobradores e que os motoristas é
que devem dirigir e cobrar as passagens. Na
volta observei a mesma coisa e então fiquei pensando no seguinte: se os
motoristas são proibidos de falar no celular enquanto dirigem, porque
isto coloca em risco a segurança no trânsito, por que os motoristas de
ônibus podem dirigir e cobrar as passagens ao mesmo tempo? Justamente
eles que estão transportando pessoas e que, por isso mesmo, devem
dirigir com a maior atenção possível... Sei
que falar ao celular enquanto dirige pode ser perigoso, mas dirigir e
cobrar passagens também é. Por que então usar dois pesos e duas
medidas?
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