Turma Nova

Mundo Novo

 

Nós vamos mudar o mundo!


 

O que a turma já escreveu

 

Aí turma, galera, pessoas, jovens, adolescentes, gente que ama, que deseja mudar o mundo... 
Aí gente que gosta de escrever, falar das suas coisas, de amor, paixão, felicidade, tudo... 
Aqui a gente criou um espaço livre para cada um falar sobre tudo isso, para cada um contribuir com alguma mensagem que ajude a mudar o mundo (Já que os adultos não conseguem...).

Foi num domingo de meio frio e chuva, com a galera sem coisa pra fazer, que pintou a idéia desse blog. 
 
No começo era só vontade de uma página onde cada um de nós pudesse escrever o que tinha vontade. 
 
Depois veio a idéia de mudar o mundo. Mas aí a gente achou que mudar o mundo não é tarefa pra um ou dois dias e então decidimos que a gente vai mudar aos poucos.
 
Minha mãe, professora de português, logo falou que ia cuidar da redação (pois a gente escreve de um jeito que os mais adultos não entendem) e também sugeriu que a gente criasse aqui um espaço realmente livre. 
 
Vamos ver no que vai dar.
 
Seguinte: quem quiser publicar algo, primeiro escreve pra
 
turmanova@uol.com.br
 
A gente vê a mensagem, minha mãe dá um trato na escrita e então publica. 
 
Pode ser qualquer coisa, o que tiver vontade de falar: amor, poesia, histórias de amor ou sensual, política, música, família, escola, tudo... 
 
Pode ser coisa vivida ou pode ser coisa inventada (ficção), mas tem de ser coisa que sirva para passar alguma mensagem que ajude a mudar esse mundo, melhorar esse mundo. 
 
Podem ser também grandes coisas ou então pequenas coisas, o que não pode é escrever bobagens e besteiras, pois isso já tem muita gente falando e escrevendo.
 
Aproveitem então este espaço "adolescente" e ajudem a transformá-lo em algo muito mais útil do que muitos espaços "adultos" que existem por aí.
 
Nika e toda a galera (turma)
1. CHEGA DE PRECONCEITO
2. MENINAS SÃO PESSOAS
3. MEU PADRASTO (O AMOR É TUDO)
4. CACHORRO DE MADAME, MENINOS DE RUA
5. A AÇÃO DE DESPEJO
6. MEU IRMÃO QUASE MORREU NUM ACIDENTE DE MOTO
7. A CULPADA É A TORNEIRA
8. MOTORISTAS NÃO PODEM FALAR NO CELULAR, MAS...


1. CHEGA DE PRECONCEITO
 
Por Tatiana

 

A Carol sempre me pareceu uma menina diferente de nós todos lá na escola, na minha classe. Estava sempre quieta num canto e toda vez que a gente a convidava para tomar um lanche, um sorvete ou qualquer outra coisa, ela dizia que não podia ou que não estava a fim. Isso quando alguém a convidava, pois nem as meninas e nem os meninos davam muita bola pra ela.
Para mim ela era uma excelente amiga, principalmente na hora de dar uma força nos trabalhos. No mais, sempre quieta. Uma das diferenças de Carol é que ela tem a pele de cor escura, quase negra, enquanto nós todos temos a pele branca. Eu não sei dizer até que ponto a cor da pele de Carol afastava as outras meninas dela, e também os meninos, e também eu, devo confessar.
Mas teve uma dia que observei outras diferenças em Carol. Primeiro foi o seu nome, pois ela se dizia chamar Carol e quando a professora pediu para eu fazer a chamada, descobri, e descobrimos todos, o seu nome verdadeiro: Carolina.
Muitos na classe fizeram gozação com ela e me senti culpada. Vi que ela até chorou escondida e no intervalo fui falar com ela, pedir desculpas, dizer que não tinha a mínima idéia que ela escondia o nome e também que não havia motivo para isso, pois era um nome bonito.
Mas foi então que descobri outras coisas, quando ela me falou que não entendia porque sua mãe a tinha colocado naquele colégio, só de meninos e meninas ricas, enquanto ela mal podia pagar a mensalidade. Descobri que Carolina, além de negra, era pobre, não tinha celular, não usava aparelhos para corrigir os dentes e sempre evitava sair com a gente nos intervalos porque não tinha dinheiro para comprar nada.
Naquela hora eu nem sei o que foi que falei pra ela. Acho que apenas comentei que ela devia mais era agradecer à sua mãe por se esforçar para que ela estudasse ali, pois assim, ela teria um futuro melhor.
Mas depois que cheguei em casa e durante a noite, não consegui parar de pensar em Carol. Não consegui nem dormir direito pois ficava pensando em como deve ser triste a pessoa não poder viver como as outras. A mãe dela colocou ela naquele colégio, mas talvez devesse ter deixado ela estudar num outro colégio com meninas iguais a ela, assim ela não sofreria tanto preconceito.
No dia seguinte, durante o café da manhã, estava tão distraída pensando nela, que meus pais perguntaram o que estava acontecendo. Comecei a chorar. Perguntei a eles o que seria de mim se eu estivesse no lugar dela.
Meus pais não me falaram muita coisa, quer dizer, não me mostraram nada que eu pudesse fazer. Mas enquanto eu estava sendo levada para a escola tive uma idéia e pedi ao meu pai um adiantamento da mesada. Ele não perguntou para o que era, mas parece que já sabia.
Antes mesmo da aula, fiquei esperando ansiosa que a Carolina chegasse e fui logo mostrando a ela o dinheiro, dizendo que era um presente. O que ela me falou causou um pouco de raiva.
- Esse dinheiro não vai mudar o meu destino. - ela disse. - Ninguém de vocês vai passar a me tratar diferente só porque tenho dinheiro para ir comer lanche ou tomar sorvete com vocês.
Naquela hora, acreditei mesmo que ela não merecia o dinheiro e a deixei no seu canto. Mas quando entramos em aula, comecei a me perguntar se a turma da escola a tratava mesmo de modo diferente, se o pessoal a desprezava, e fui chegando à conclusão que era isso mesmo o que acontecia.
E estava com o pensamento tão fixo em Carolina, inclusive olhando para ela em sua carteira de vez em quando, que nem prestava atenção na aula e nem ouvi quando a professora chamou o meu nome.
- Tá viajando? - perguntou a professora, já mexendo no meu ombro, enquanto a turma toda ria.
Fiquei um tanto sem graça, mas logo comecei a falar aquilo que eu achava que tinha de falar.
- Desculpa, professora. - eu falei. - Estou viajando sim, mas não estou muito longe. Estou aqui pensando que enquanto meus pais podem me pagar esse colégio sem maiores problemas, enquanto podem me comprar vestidos, me dar um celular novo, me levar ao dentista para colocar aparelho. Estou pensando que também as outras meninas e os meninos aqui dessa classe não têm do que se queixar das suas vidas, pois têm tudo o que querem. Estou pensando que enquanto isso, existem muitas pessoas que nem sequer podem entrar em uma escola, não podem comprar roupas, não podem colocar aparelho nos dentes e nem mesmo podem sair para tomar um lanche com a turma, porque nunca têm dinheiro. E estou pensando mesmo é em uma certa pessoa, que além de ser pobre e passar por todas essas necessidades, ainda tem a pele negra...
Naquele momento, como que adivinhando, quase todos na sala olharam para a Carol, ou Carolina. Continuei falando, eu não conseguia parar.
- Eu queria que a Carol ou Carolina, tanto faz, fosse nossa amiga. Que fosse uma amiga de quem a gente não ficasse olhando a cor da pele e nem tampouco se ela tem aparelho nos dentes, celular ou dinheiro para tomar lanche ou sorvete. Eu queria que ela fosse uma amiga para quem a gente não tivesse nenhum tipo de preconceito...
Não consegui falar mais, pois comecei a chorar. A professora me abraçou e escondi a cabeça em seu peito. Mas na verdade quem eu queria mesmo abraçar era a Carolina, a minha amiga Carolina.
Mas tive que esperar um pouco para fazer isso. Só pude abraçá-la depois que as outras meninas e também os meninos da sala já a tivessem abraçado e feito seus pedidos de perdão.
Daquele dia em diante, alguma coisa mudou na vida de Carolina. 
Mas querem saber, acho que a mudança maior aconteceu mesmo foi entre nós todos. Não sei explicar que mudança foi essa, só sei que foi uma mudança maravilhosa, para todos nós.
 

 
2. MENINAS SÃO PESSOAS
 
Por Alessandra
 
A história que vou contar não aconteceu comigo, mas é como se tivesse acontecido, pois foi com uma grande amiga minha e já sofri muito e ainda sofro junto com ela, principalmente, porque sei que ela não teve a orientação que eu tive dos meus pais.
Não digo que eu não corro o risco de cometer o mesmo erro que ela, mas desde pequena meus pais me ensinaram que para amar uma pessoa e acreditar nela, não há a necessidade de fazer tudo do jeito que essa pessoa quer. A gente tem de desconfiar um pouco do amor dos outros, quer dizer, não acreditar que só nos dizem verdades.
Foi por causa disso que logo quando pintou o primeiro lance de namoro, com um menino da minha escola, uma das primeiras coisas que eu tratei de esclarecer é que a transa só vai acontecer no momento certo, quando eu tiver idade, quando eu me sentir preparada. O menino topou e hoje estamos juntos (ele está ao meu lado, lendo o que escrevo) já faz quase dois anos. Não posso dizer que ele tem se comportado direitinho, porque tem uma mão boba como ele só. Mas é só isso, sempre pára quando eu digo que é para parar.
Mas com minha amiga não foi assim. Logo o seu primeiro namorado já foi falando que era apaixonadíssimo por ela e que queria acreditar que ela também fosse apaixonadíssima por ele. Vivia dizendo para ela que namoro sem paixão de verdade não é namoro.
Minha amiga até me contava essas coisas e eu dizia para ela tomar cuidado. Um dia até a trouxe em casa e fiz ela conversar com minha mãe. Mas ela não se abriu muito com minha mãe, disse-me depois que não se sentia à vontade para conversar sobre essas coisas com uma pessoa adulta. Aliás, ela dizia que não se sentia à vontade para conversar sobre isso com ninguém e que nem sabia porque falava comigo.
E quando perguntei se os seus pais, principalmente a mãe, nunca tinha dado alguma orientação a ela, ela me disse que não. Achei isso um absurdo, pois com meu pai e com minha mãe eu sempre converso numa boa sobre qualquer coisa. Mas depois acabei descobrindo que outras meninas também têm o mesmo problema que ela, isto é, não conversam com seus pais.
Querendo ajudar minha amiga e sabendo que ela já estava para transar com o menino, pois era isso o que ele queria como prova da sua paixão, tudo o que pude fazer foi dizer que ela não devia atender aos caprichos dele, mas que se fosse também sua vontade transar, então que pelo menos tomasse todas as precauções. Falei que ela devia usar camisinha e até mostrei a ela como era, pois eu havia aprendido na escola.
Mas um dia ela chegou e me disse que havia transado e que tinha sido sem camisinha, pois que ele não aceitou colocar, dizendo que transa assim não tem graça.
Mas ela falou mais coisa ainda; que havia doído muito, que tinha sangrado bastante e que tudo tinha sido tão rápido que ela nem sabia se tinha sentido prazer. Perguntei se ela tinha gozado e ela disse que não sabia. Não sabia nem o que era o gozo. Perguntei se ele nunca tinha feito para ela com a mão até o fim. ou então se ela nunca tinha se masturbado e ela ficou com vergonha de me contar.
Fiquei encucada, pois sempre imaginei que a transa deve ser uma coisa gostosa para a menina também e não apenas para o menino. Falei pra ela que talvez fosse porque era a primeira vez, tanto dela quanto dele. Mas ela me falou que dele não era a primeira vez, pois ele sempre falava que já tinha transado com várias meninas. Então falei que ela era uma louca, pois podia tanto engravidar quanto pegar uma DST. Recomendei que se fossem transar outra vez, que ela pedisse a ele que fosse mais carinhoso e que usasse camisinha.
Mas ela me contou dias depois que transaram novamente e havia sido tudo como na primeira vez. E também foi assim mais umas duas ou três vezes ainda.
E então a menstruação dela não desceu. Ela me procurou apavorada. Falei com minha mãe e minha mãe falou que ela devia contar para a mãe dela. Mas ela falou que não tinha coragem de fazer isso.
Ela contou foi para o namorado e ele desapareceu no mesmo momento, dizendo que não iria ficar com uma menina grávida sendo que nem sabia se o filho era dele mesmo. Chegou mesmo a dizer que ela dava para todo mundo.
Resumindo a história. Ela foi abandonada pelo namorado, um verdadeiro cachorro sem vergonha que só se aproveitou dela. E também quase foi posta para fora de casa, pois seus pais não aceitaram sua gravidez. Só não a expulsaram não sei porque, pois sua situação não é das melhores lá na sua casa.
Daqui a alguns dias ela vai ter o bebê e as coisas parecem mais calmas, pelo menos em relação aos seus pais, que se não dão todo o apoio que ela precisa, pelo menos não a desprezam como antes.
Agora o que fico me perguntando é que tipo de menino é esse que gosta de enganar uma menina desse jeito. Será que por acaso ele não acredita que menina também é gente, que é uma pessoa, que ama, que sofre, que tem sentimentos, que precisa ser respeitada?
Se ele não estava a fim de assumir um filho com ela, então por que insistiu tanto em transar, e ainda mais sem camisinha? Por que não se comportou como o meu namorado, que sabe me respeitar, mesmo com a mão boba que tem?
Boba foi ela, que acreditou nele. E acreditou porque nunca teve uma orientação adequada, nunca teve com quem conversar.
Mas idiota foi ele, pois se acredita que vai ser feliz dessa maneira, enganando as meninas, desconsiderando que elas são pessoas, está é muito enganado. Um dia ele encontra o castigo que merece ter.
Espero, e isso vai acontecer com certeza, que um dia ele fique caidasso (apaixonadíssimo) por uma menina e que fique com ela mesmo sabendo que ela dá pra tudo menino que conhece.

3. MEU PADRASTO (O AMOR É TUDO)
 
Por Melissa
 
Meu nome é Melissa e tenho 15 anos. Faço parte da turma da Nika e também ajudei criar e agora ajudo a cuidar desse blog. Claro que também fiquei interessada em poder contribuir com algum escrito e então comecei a pensar no que poderia ser. Por vários dias fiquei pensando, tentando encontrar alguma coisa que pudesse passar uma mensagem que ajude as pessoas a mudar o mundo. Mas não encontrava nada e já estava desistindo, quando minha mãe me mostrou o quanto eu estava enganada.
Um fato triste que me aconteceu foi quando meu pai morreu e eu tinha 12 anos. Foi um fato que me chocou muito. Mas foi também um fato que faria mudar minha vida para melhor. Preciso ter cuidado ao dizer isso, para não ser mal interpretada, mas acontece que a vida minha, da minha mãe e da minha irmã menor, que hoje tem 13 anos, era um inferno dentro da nossa casa.
Meu pai bebia, era violento, batia em minha mãe e chegou a bater em nós duas também, muitas vezes. Eu tinha medo dele. Medo não, eu tinha pavor. Um dia um menino queria ficar comigo e eu morria de medo, mesmo estando com a maior vontade de ficar com ele. Era o meu primeiro menino e eu dizia que não, e não preciso dizer porque. Mas minhas amigas e meus amigos ficaram provocando até que dei um beijo nele, no meio da rua, no meio de toda a turma da escola. A turma fez festa e eu fiquei feliz. Foi muito gostoso o meu primeiro beijo.
Mas no dia seguinte ele quis ficar outra vez, pois um só beijo havia sido pouco, e eu quis ficar também. Só que nos separamos da turma e ele me acompanhou até a rua da minha casa, onde ficamos sentados num banco de cimento que tinha em frente de uma casa. A gente já estava beijando legal e eu estava super contente, quando meu pai passou e nos viu. Me fez correr para casa e logo ele chegou atrás, para me dar a maior surra e me chamar de cadelinha sem vergonha.
Chorei muito, perdi o menino e achei que nunca mais iria ficar com ele e nem com outro menino qualquer. E foi isso o mesmo o que aconteceu, pois sempre que meu pai me via, lembrava daquele dia e me prometia outra surra caso me visse com algum menino. Eu tinha então até de evitar conversar com os meninos.
Então, um dia veio a notícia de que um ônibus havia passado por cima do meu pai, que estava bêbado. Num primeiro momento senti uma coisa imensamente triste dentro de mim, mas depois, mesmo sentindo uma grande culpa logo em seguida, passou pela minha cabeça que aquilo era o melhor que poderia ter acontecido, pois assim eu, minha mãe e minha irmã poderíamos viver em paz.
Vivemos então quase dois anos esquecendo a presença dele na nossa casa, mas isso acho que pouca coisa mudou em minha vida, pois não me  interessava mais por menino algum e até fugia deles quando me procuravam. Nem ia em festas, para evitar ser paquerada.
Mas aí minha mãe arranjou um namorado ou, como logo desconfiei e fiquei sabendo, ela já se encontrava com ele mesmo antes de papai morrer. Isso me chocou demais, por duas razões. Primeiro por saber que mamãe andava traindo papai e segundo porque seu namorado poderia significar a volta de tudo aquilo que antes acontecia. Essa certeza ficou ainda maior quando descobri que eles pretendia morar juntos, na nossa casa. Nem mesmo o fato de saber que os dois só passaram mesmo a se encontrar depois da morte de papai fez minha cabeça pensar diferente.
Acho que virei uma rebelde. Não queria mais nem falar com minha mãe, nem ir para a escola, nem fazer nada. Eu só pensava no inferno que minha vida iria voltar a ser. Um inferno para mim e para minha irmã, já que mamãe parecia estar se dando muito bem com ele.
Fiquei tão rebelde e descontrolada das minhas coisas que até aceitei ficar com um menino que estava embassando comigo na escola. E eu ia na escola só mesmo para encontrar com ele, pois aula mesmo eu não queria assistir. Eu pensava em fugir com ele para algum lugar, levando minha irmã junto.
Então, um dia, estava chovendo muito e a gente se escondeu num ponto de ônibus. Aproveitamos para ficar e estávamos no maior beijo quando ouvimos buzinar e à nossa frente tinha um carro parado. Era o carro do namorado da minha mãe. Fiz xixi na calcinha, de tanto medo que passei. Ele nos colocou no carro e levou o menino até sua casa e depois veio comigo até aqui em casa. Minha mãe o esperava e corri para o quarto tão logo entrei. Fui tomar banho e me trocar. Tremia de medo e sabia que uma grande bronca estava me aguardando.
Mas não levei bronca nenhuma. Ao invés disso, quando voltei para a cozinha, com minha irmã, para comer pizza, que eles haviam comprado, ele começou a falar que pretendia morar com a gente, que queria dar escola boa para nós duas e então falou para minha mãe que tinha me visto com o meu namorado. Eu ia corrigir rapidamente que era só um fico e que tinha sido só naquele dia, mas nem foi preciso, pois ele não falou por bronca e sim para dizer que achou o menino muito educado e que tinha gostado muito dele.
Daquele dia em diante comecei a ver o namorado da minha mãe de modo um pouco diferente, cada vez mais diferente. Ele era e é muito diferente do que era papai. Agora já faz alguns meses que ele está morando com a gente e nossa vida está parecendo uma festa sem fim. Ele leva eu e a mana para passear, levar para festas, vai buscar, dá presentes, conversa sobre o meu namoro e também o da mana, que já anda ficando com os meninos.
Um dia, no carro, falei para ele o que eu pensava dele antes e o que penso agora. Ele então respondeu que vida alguma vale a pena se não houver amor para fazer o tempero. Disse que não importa se é o amor entre um casal, se é amor entre pais e filhos, se é entre padrastos e enteados, se é entre irmãos, entre amigos, colegas de trabalho, vizinhos, nada importa, a não ser amar e ser amado.
Foi nesse dia que nos abraçamos pela primeira vez e eu beijei seu rosto, para depois ele me beijar também.
Hoje posso dizer que sou uma menina feliz, que a mana é feliz, que mamãe é feliz. Às vezes lembro de papai e chego a sentir saudades, mas depois peço perdão e digo para mim mesma que foi melhor assim. Talvez papai não tenha encontrado uma maneira de amar, talvez não tivesse descoberto que o amor é tudo, e talvez fosse por isso que bebia tanto e acabou deixando essa vida tão cedo.
 

 

 

 
 
4. CACHORRO DE MADAME, MENINOS DE RUA
 
Por Ricardo

 

 
Tenho uma tia que é muito caridosa com os cachorros e gatos que aparecem na rua, abandonados, perto da sua casa. Ela costuma dar comida e água para eles e até recolhe alguns para dentro do seu quintal.
Sempre acreditei então que minha tia é boa de coração. Mas noutro dia eu estava em sua casa quando vi algo que me deixou muito triste e fez mudar um pouco a idéia que tenho sobre minha tia.
Estava no quintal, conversando com minha prima, quando vi duas crianças no portão. Eram um menino e sua irmã menor. Os dois estavam bem mal vestidos e tinham olhares bastante tristes. 
Mas foi exatamente no momento em que fui falar com eles no portão que vi seus olhares ficarem alegres. Seus olhos brilharam.
- É a Pitucha! - disse a menina, apontando para dentro do quintal.
E logo o menino também apontou e os dois começaram a sorrir, chamando pelo nome Pitucha. E logo também entendi o que estava acontecendo, quando um dos cachorros que minha tia havia recolhido na rua, na verdade uma cachorra, se aproximou das crianças, balançando o rabo.
- É a Pitucha mesmo. - diziam eles e estavam felizes por ver a cachorra.
- Que bom que você não morreu! - falou a menina. - Que bom que não se queimou.
E então o menino, como que entendendo que eu queria saber o que estava acontecendo, me contou que a casa onde eles moravam havia pegado fogo e que eles pensavam que a Pitucha tivesse morrido queimada. 
Mas a casa da qual eles me falavam, logo fui saber pela minha prima, era apenas um dos muitos barracos que haviam queimado num incêndio acontecido alguns dias antes numa favela ali perto. As crianças contaram então que estavam com seus pais morando embaixo de um viaduto também ali perto. 
Mas apesar da alegria de ter reencontrado a cachorrinha que antes era deles e que agora estava com minha tia, depois que que ela a recolheu da rua, as crianças falaram que estavam com fome e que andavam pelo bairro pedindo alguma coisa.
- Claro que a gente vai dar alguma coisa para vocês. - falei, como se estivesse na minha casa e pudesse fazer isso.
Minha prima também entrou comigo para dentro da casa, perguntando para a mãe o que ela poderia dar, mas logo descobrimos que a gente não podia dar nada. A tia saiu até a porta, deu uma olhada para as crianças e logo foi dizendo que aquela já era a terceira vez que naquela semana que eles passavam pedindo comida.
- Então a senhora já deu... - eu estava perguntando, quando ela me cortou e disse que não tinha dado e que nem iria dar, pois não tinha culpa se tem gente que só sabe colocar filhos no mundo e não sabe cuidar. Não tinha obrigação para com os filhos dos outros.
Eu eu minha prima ficamos olhando para a tia, sem saber o que dizer e também sem entender o que estava acontecendo com ela. Pegamos então algumas laranjas e levamos para as crianças, isso depois que a tia já tinha saído da cozinha e não viu o que a gente estava fazendo.
As crianças, que ainda estavam brincando com a cachorra, ficaram contentes, agradeceram e se despediram de nós e da cachorra.
- Fica aí! - disse a menina para a cachorra. - Fica aí Pitucha! Aí você tem comida todos os dias.
Os dois se foram e fiquei olhando até que sumissem na esquina. Minha prima também ficou olhando. Então começamos a olhar um para o outro, mas sem dizer nada. Não falamos nada, mas eu sabia que ela estava pensando a mesma coisa que eu.
A menina tinha razão em falar para a cachorra ficar ali na casa da minha tia. A mesma tia que recolhe cachorros da rua, mas nega comida para as crianças.
 
 

 
 
 
5. A AÇÃO DE DESPEJO
 
Por Ingrid 14
 
Tive a idéia de escrever esse pequeno conto, depois de algo que presenciei, numa visita ao Pico do Jaraguá. Na verdade foi uma compulsão e só me sosseguei um pouco depois que comecei a escrever.
A professora de geografia tinha falado do Pico do Jaraguá, que é o ponto culminante de São Paulo, e fiquei curiosa para ir lá ver. Foi meu pai quem me levou, junto com meus outros irmãos, já que a mamãe não quis ir. Ela disse que não tem nada de interessante pra se ver ali e acho que papai também pensa do mesmo jeito, pois parecia estar contrariado, o tempo todo.
Realmente, o passeio não é lá essas coisas, pois estava um dia poluído e não avistamos quase nada da cidade, como a professora havia dito que dava para avistar. O que avistamos foi muita sujeira e também muita criança pedindo dinheiro para comprar lanche.
Mas na volta avistamos mais uma coisa que me chamou a atenção e pedi para o meu pai parar o carro. Eram algumas pessoas vendendo artesanato indígena na beira da estrada. E descobri que eles eram índios de verdade e que moravam ali perto. 
Mas quando olhei para o lado que a menina me apontou como sendo a aldeia deles, fiquei desapontada, pois tudo o que vi foi um amontoada de barracos feitos com madeira velha, papelão e outros tipos de lixo. 
E quando perguntei se aquilo era realmente uma aldeia indígena, a mãe da menina explicou que estavam ali fazia pouco tempo e com risco de serem despejados, pois o dono das terras a queria de volta. Falou ainda que vivem com muita dificuldade, pois é difícil arrumarem emprego e o pessoal sempre os trata com muito preconceito. Mas contou que ali tem uma escola e até convidou a gente para ir lá visitar um dia.
Claro que meu pai não deu muita atenção para a mulher e confesso que também eu não estava me sentindo muito segura em ficar ali naquele lugar, com tanta gente pobre e com certeza alguns marginais entre eles. Por isso compramos algumas coisas e demos o fora.
Mas desde aquele dia não parei mais de ficar pensando na menina, na mulher sua mãe e naquela gente toda, morando naqueles barracos, passando fome e ainda vivendo o medo de serem expulsas dali a qualquer momento.
E de tanto pensar acabei imaginando que aquelas terras onde eles vivem eram do meu pai. Sei que ele tem terras em muitos lugares e bem que poderia ser o dono daquelas ali também. 
Um dia perguntei para a professora de geografia sobre a situação dos índios e ela contou que eles passam mesmo muitas dificuldades, sem terra para plantar. Eles que eram os donos de todas essas terras antigamente. Perguntei por que ninguém dava terras para eles e a professora me falou que muitos proprietários preferem ver suas terras devastadas e inutilizadas do que cedê-las a quem precisa para plantar o que comer. Falou também que já tinha assistido algumas ações de despejo e que é muito triste ver as pessoas, velhos, crianças, doentes e outros, serem expulsos do lugar onde moram, pelas simples ganância dos proprietários que não precisam das terras mas não abrem mão delas.
E como na minha imaginação aquelas terras eram do meu pai, foi na imaginação também que um dia perguntei a ele por que não deixava a terra para os índios. Ele então me falou que se eles quisessem terra, que fossem trabalhar para conseguir, pois são todos vagabundos. E disse também que tudo o que a professora vive falando é por falta de conhecimento, pois ela não sabe o quanto ele e meus avós trabalharam para conseguir o que hoje temos.
Fiquei muito confusa com isso. Sei que meu pai trabalha bastante, mas sei também que seus empregados trabalham até mais que ele. Então por que só ele é que tem as coisas e os empregados não? E fiquei confusa também com o que a mulher havia dito; que eles, os índios, não conseguem trabalho por causa do preconceito.
Voltei a falar com o meu pai e perguntei a ele o quanto ele ganha com um mês de trabalho. Ele não soube responder, mas deixou claro que é uma verdadeira fortuna. Então perguntei que diferença iria fazer para ele nos seus ganhos, se deixasse aquele pedaço de terra para os índios; um pedaço de terra que não dá nem a metade do tamanho da chácara onde a gente costuma passar os finais de semana. Elr só me respondeu que aquelas terras eram nossas e pronto.
Então, as coisas foram acontecendo e fiquei sabendo através da professora que ia mesmo acontecer a ação de despejo e que os índios iriam ser expulsos daquelas terras. Mas ela falou também que ela e outros professores, e também alguns religiosos e advogados, entre outras pessoas, iriam estar lá no dia do despejo, para protestarem a favor dos índios.
Eu quis ir junto. Mas como eu tinha de obter autorização com meus pais, tive de  falar com ele. Brigamos. Mas eu falei que ia de qualquer maneira e que se fosse preciso iria levar tudo o que eu tinha para doar a eles para que eles pudessem comprar um pedaço de terra. Calculei que se eu desse alguma coisa e os outros também dessem, a gente conseguiria o dinheiro suficiente.
Por fim, quando meu pai viu que não tinha mais jeito, acabou me levando até lá, juntamente como seus advogados, que iriam acompanhar a ação de despejo. Lá já estavam os tratores para derrubar os barracos e também muitas pessoas com faixas. Os índios estavam pintados para a guerra, mas usavam arcos e flechas, paus e pedras, enquanto a polícia tinha revólveres e metralhadoras.
Logo percebi que aquilo iria ser um massacre e que iriam matar crianças, velhos, mulheres. Tomei coragem, saí do carro e fui me colocar do lado dos índios, junto com a professora e as outras pessoas, na frente deles.
- Essa terra é do meu pai. - gritei bem alto, para que todos ouvissem. - Meu pai não precisa dessas terras. Se ele quiser tirar vocês daqui, vai ter de me tirar também. Se ele mandar a polícia atirar, vão ter de atirar em mim também.
Nem sei de onde arranjei tanta coragem para fazer isso.
Passaram vários minutos sem que ninguém soubesse o que fazer. Havia uma caixa de papelão colocada na frente de todos, entre nós e a polícia e as máquinas, e nessa caixa estava sendo depositado dinheiro para ajudar os índios a comprar a terra. Peguei o dinheiro que eu tinha levado e depositei ali também. E depois gritei para o meu pai, que naquele momento vinha se aproximando da gente.
- Dá um tempo para nós. - eu falei. - Nós vamos conseguir o dinheiro e então a gente compra a terra de você. A gente compra a terra que você não precisa, mas que é muito importante para esse povo, para essas mulheres, esses, velhos, essas crianças. Eles precisam de um lugar para viver...
Foi então que aconteceu o milagre e não consegui falar mais. Vi que meu pai estava chorando e corri abraçá-lo. Depois de algum tempo, quando ele conseguiu falar, ele pegou a caixa e disse que aceitava o que tinha ali em troca da terra. Uma velha índia disse então que ali ainda havia muito pouco, que não era suficiente para comprar a terra. Mas ele falou que iria completar o que faltava.
- O senhor vai nos dar o dinheiro para comprar suas próprias terras? - perguntou a mulher.
- Não! - disse meu pai. - Essas terras já é de vocês. O dinheiro que vou dar vai ser para construírem casas, mais escola, quadra de esporte, posto de saúde, tudo o que vocês precisam.
Abracei meu pai. Falei que ele é o melhor pai do mundo e que eu amo demais. Naquele mesmo dia fizemos uma festa ali na aldeia, e não ficamos com medo de gente pobre e nem de marginais.

 

 


6. MEU IRMÃO QUASE MORREU NUM ACIDENTE DE MOTO

 

Por Daniel

 

Meu irmão tem 22 anos, mas acho que eu, com 14, sou um pouco mais ajuizado que ele. Sempre passei o maior medo nas vezes que ando de carro com ele e de moto só peguei carona duas vezes, e nunca mais.

Não entendo meu irmão e não entendo também outras pessoas que dirigem ou que andam de moto, inclusive meu pai e minha mãe, que não andam de moto, mas que parecem ser outras pessoas quando estão dirigindo. De repente se transformam em pessoas apressadas demais e querem que todos saiam da frente, como se a rua tivesse sido construída só para eles.

Mas a rua não existe só para os carros e as motos. Fui pesquisar e descobri que as ruas sempre foram dos pedestres e há não muito tempo tinha que ir alguém na frente dos carros anunciando a sua passagem, para não assustar as pessoas. Hoje isso mudou e muito.

As pessoas vivem apressadas e estressadas dentro dos seus carros, num trânsito que quase nunca anda ou pelo menos não anda como elas gostariam que andasse.

Mas os motoqueiros, não entendo porque, mesmo tendo veículos que conseguem circular de modo mais livre dentro do trânsito, são os que menos têm paciência.

Eles dizem que os motoristas não os respeitam, mas eu não concordo com isso. A maioria deles é de motoqueiros "meio loucos". Tudo o que sabem fazer é buzinar para que o mundo saia da frente deles.

Eu vivia dizendo para o meu irmão que eles buzinam até para postes e muros, esperando que esses saiam da frente. E dizia isso porque é o que realmente observo. Nunca vi tamanha impaciência e tamanha incapacidade de pelo menos diminuir um pouco a velocidade quando isso é necessário. Não diminuem a velocidade, não conseguem andar em fila atrás de outro veículo, querem sempre ultrapassar e xingam quando não conseguem fazer isso.

Uma colega minha foi atropelada por um motoqueiro em cima da calçada, numa situação que não dá para acreditar. Havia um carro na rua, numa curva, sendo ultrapassado por um outro carro. Os dois já estavam numa velocidade muito alta para o local, que é perto da escola. Mesmo assim, apareceu um motoqueiro correndo mais ainda e queria ultrapassar os dois. Como não havia mais espaço na rua, foi por cima da calçada, buzinando, xingando e chutando um grupo de estudantes que saia da escola. Minha amiga estava nesse grupo e deu o azar de ficar frente a frente com a moto. Por sorte ela não se machucou muito, mas o motoqueiro caiu e ainda queria brigar com ela. Só não brigou porque juntou muita gente e ele ficou com medo.

Com o meu irmão não foi muito diferente. Ele simplesmente buzinou para um ônibus que estava atravessando a avenida. O sinal estava aberto para o ônibus e fechado para o meu irmão. E ele não pode nem dizer que foi o contrário porque eu, meu pai e minha mãe, estávamos logo atrás no carro e vimos quando ele acelerou a moto e começou a buzinar, para que o ônibus parasse para ele passar.

O motorista do ônibus ainda freou mas meu irmão bateu com a moto na frente do ônibus, perdeu o controle e desviou para o outro lado da rua. Um carro que passava não teve tempo de frear e passou por cima dele e da moto. Quebrou um braço, machucou a cabeça (Por sorte estava usando capacete, pelo menos) e se ralou pelo corpo todo. Só não levantou para brigar porque ficou desmaiado, mas bastou acordar no pronto socorro para começar a falar que o motorista do ônibus estava errado, que ele devia ter dado a preferência. Meu pai mandou ele calar a boca e disse que nunca mais vai deixar ele andar de moto.

Mas de que adianta, se com o carro ele também se acha o dono da rua?

Agora eu pergunto: o que acontece com o meu irmão, com os motoqueiros, com as pessoas em geral? Será que não seria melhor a gente sair dirigindo numa boa, com paciência, respeitando as regras de trânsito, sem se estressar? Será que não seria melhor sair de casa alguns minutos mais cedo e poder então dirigir sem se preocupar com o horário.

Minha mãe só sai de casa atrasada, meu pai também. Por isso sempre dirigem meio nervosos, xingando quem está na frente, como se todos os outros motoristas e pedestres os atrapalhassem. E meu irmão, mesmo quando sai (ou saía) de carro ou de moto para passear, mesmo quando não tinha problema de horários, nem por isso tem paciência. Está sempre com pressa e odiando todos as outras pessoas que estão na rua. Até parece que quer ser sempre o primeiro e que não pode andar atrás dos outros.

Ele diz que quando eu crescer mais um pouco e começar a dirigir, vou ser igual. Espero que não.

 


 

 

7. A CULPADA É A TORNEIRA

 

Por Estéfani

 

Eu e meus colegas da oitava série estávamos fazendo um trabalho sobre o meio ambiente, quando alguém disse:.

- A culpada é a torneira!

É que a gente estava fazendo anotações sobre o tanto de coisas que costumamos desperdiçar, isto é, que gastamos sem utilizar de verdade. Tínhamos lido um texto no qual o autor falava que para escovar os dentes basta um copo de água e para tomar um banho nada mais que alguns poucos litros.

Então por que gastamos tanta água? - foi a pergunta. Até que alguém lembrou da torneira, e depois explicou: Se não houvesse a torneira e se a gente tivesse que pegar água de algum reservatório, é quase certo que não iríamos pegar mais que um copo de água para escovar os dentes e também mais do que alguns litros para tomar um banho. 

Mas como a água jorra da torneira e do chuveiro, não nos preocupamos em deixar que ela escorra além da quantidade que precisamos. E para falar a verdade, não é mesmo tão fácil fechar a torneira e principalmente o chuveiro, pois é tão gostoso ficar ali debaixo da água quentinha. Mas como seria se a gente tivesse que pegar um balde de água no rio, esquentar, colocar em uma bacia...?

Depois, em casa, fiquei observando que mamãe, ao preparar o leite que a gente toma de manhã, primeiro ela esquenta bastante o leite no fogão e depois tem de despejar água na pia para colocar a jarra e esfriar o leite até a temperatura certa pra gente tomar.

Um dia perguntei: se é para esfriar, então por que esquentar? Mas ela continuou a fazer igual. Noutro dia eu brinquei: Mãe, você está contribuindo para o aquecimento global. Ela achou isso um absurdo e nem quis ouvir eu falar que o "pouquinho" que cada um de nós gasta além do que precisamos, seja esquentando demais o leite para depois esfriar, seja ficando por longo tempo sob o chuveiro, se somado, dá pra fritar a Terra.

Mas não é só a torneira e o chuveiro. Tem também a lâmpada que fica acesa o tempo todo, a televisão ligada pras paredes, o celular que serve mais para papo furado que para outra coisa, o carro que vai e vem por trechos que poderiam ser feitos a pé, o som, o computador...

Quer dizer... está certo que sempre procuramos criar facilidades para nossas vidas, e também ninguém vai querer tirar as torneiras da casa para fazer economia de água. Mas bem que a gente podia pensar um pouco mais e sempre lembrar disso na hora de utilizar a água - a água e também a luz elétrica, o gás do fogão, o carro, a televisão, o celular, o papel da impressora, a tinta...

A natureza agradece. Nós e todos os seres vivos, precisamos.

 

 


 

8. MOTORISTAS NÃO PODEM FALAR NO CELULAR, MAS...

 

Por Ingrid 16

 

Meu pai é advogado e costuma dizer que não se deve julgar os atos das pessoas com dois pesos e duas medidas. Isso quer dizer que o que vale pra um deve valer pra todos, caso contrário, comete-se injustiça.

Mas noutro dia tive que pegar um ônibus para ir até a casa das minhas amigas (Tatiana e Melissa) e observei uma coisa que me fez ficar pensando: o motorista do ônibus era também o cobrador.

Durante todo o trajeto o motorista tinha que ficar dividindo sua atenção entre dirigir o ônibus e cobrar as passagens. Muitas vezes ele ficava parado no ponto um tempão, fazendo o troco e atrapalhando os outros ônibus que estavam atrás. Noutras vezes, para não atrapalhar os outros, ele ficava dirigindo e cobrando as passagens, tudo ao mesmo tempo.

Percebi então que ele sempre estava colocando em risco a vida dos passageiros, pois não é possível que ele faça direito as duas coisas ou, melhor, não é possível que ele consiga dirigir direito e com segurança tendo que ficar cobrando as passagens.

Cheguei a acreditar que aquilo devia ser um caso excepcional, talvez por ter faltado o cobrador, mas minhas amigas me disseram que é assim mesmo, que naquela linha de ônibus não existem cobradores e que os motoristas é que devem dirigir e cobrar as passagens.

Na volta observei a mesma coisa e então fiquei pensando no seguinte: se os motoristas são proibidos de falar no celular enquanto dirigem, porque isto coloca em risco a segurança no trânsito, por que os motoristas de ônibus podem dirigir e cobrar as passagens ao mesmo tempo? Justamente eles que estão transportando pessoas e que, por isso mesmo, devem dirigir com a maior atenção possível...

Sei que falar ao celular enquanto dirige pode ser perigoso, mas dirigir e cobrar passagens também é. Por que então usar dois pesos e duas medidas?